5 lições de vida de Oprah Winfrey

1. Está indecisa? Espere, não faça nada!

Quando você não sabe o que fazer, o melhor conselho que posso lhe dar é: não faça nada até as coisas se tornarem mais claras. Ficar em silêncio, ser capaz de ouvir a própria voz, e não as vozes do mundo a seu redor, ajudará você a alcançar a clareza mais rápido. Assim que decidir o que quer, comprometa-se com essa decisão. Uma das minhas citações favoritas é o trecho a seguir, do montanhista W. H. Murray:

“Enquanto você não estiver comprometido com algo, irá hesitar, querer desistir, e será sempre ineficaz. Em todos os gestos de iniciativa (e criação) reside uma verdade elementar que, quando ignorada, interrompe inúmeros planos e ideias magníficas: no momento em que você se compromete definitivamente com algo, a Providência também entra em ação. Diversas coisas acontecem para ajudá-lo, coisas que jamais teriam ocorrido de outra forma. Toda uma sequência de eventos inicia-se a partir dessa decisão, e você se vê beneficiado por todo tipo de incidentes inesperados, encontros e auxílio material com os quais nenhum homem sequer ousaria sonhar. Aprendi a ter um profundo respeito pelos seguintes versos de Goethe: ‘Se você pode fazer algo, ou sonha que pode, comece a fazê-lo. A ousadia traz inspiração, força e magia consigo’ “.

Decida-se e veja a sua vida progredir.

2. Medida anti-stress: mande o resto pastar

Não sou nem de longe tão estressada quanto alguns podem pensar. Com o passar dos anos, aprendi a concentrar minha energia no presente, a ter plena consciência do que está acontecendo a cada momento e a não me preocupar com o que deveria ter acontecido, com o que está dando errado ou com o que pode vir em seguida. Por outro lado, como faço mil coisas ao mesmo tempo, se não tivesse minhas válvulas de escape, eu seria incapaz de funcionar direito – e talvez um pouco maluca também.

Todos precisamos recarregar as baterias de vez em quando. É por isso que, quando você não se dá a atenção e o cuidado de que precisa, seu corpo se rebela manifestando doenças ou fadiga. O que eu faço para recuperar as energias? Dificilmente passo um dia inteiro sem falar com Gayle (Gayle King, melhor amiga de Oprah Winfrey e editora-geral da sua revista, Oprah Magazine). Quase todas as noites, entro em uma banheira de água quente e acendo uma ou duas velas. Sei que pode soar cafona, mas se concentrar na chama de uma vela por alguns minutos, respirando fundo, é muito tranquilizante. Pouco antes de dormir, não leio nem assisto nada na TV que possa me deixar ansiosa – e isso inclui o noticiário. E, como não gosto de ter pesadelos, garanto um bom sono deixando para resolver durante o dia qualquer problema que tenha. Também mantenho um diário de gratidão e, depois que acabo de trabalhar, eu “baixo a bola” lendo um bom livro ou simplesmente ficando sozinha para me reencontrar com o meu cerne – ou, como gosto de dizer, “mandar o resto pastar”.

3. Uma definição para espiritualidade

O que eu sei de verdade é que a vida não faz verdadeiro sentido sem um componente espiritual. O espírito, para mim, é a essência daquilo que somos. Algo que simplesmente existe, sem necessidade de nenhuma crença em particular. E o segredo para entrar em contato com essa essência é apenas estar consciente do momento presente. Essa é uma noção transformadora. Ela redefine o que significa estar vivo.

A espiritualidade pode ser algo tão comum – e ao mesmo tempo tão extraordinário – quanto concentrar toda a sua atenção em outra pessoa, sem pensar no que mais você precisaria estar fazendo naquele momento. Ou esforçar-se para fazer algo de bom ao próximo. Ou começar o dia com um momento de total silêncio. Ou acordar para sentir o cheiro do café, usando os sentidos para saborear o aroma, transformando cada gole no mais puro prazer e, quando já não for mais prazeroso, deixá-lo de lado. O que eu sei de verdade é que a luz entra na sua vida a cada respiração consciente. Respire com calma.

4. O poderoso princípio da intenção

Embora já tivesse reconhecido havia tempo que era responsável pela minha vida, e que cada escolha que eu fazia gerava uma consequência, muitas vezes as consequências pareciam totalmente fora de sintonia com as minhas expectativas. Isso ocorria porque eu esperava uma coisa, mas minha intenção era outra. Meu desejo de tentar sempre agradar aos outros, por exemplo, gerava uma consequência indesejada: com frequência eu sentia que estavam se aproveitando de mim, que eu estava sendo usada e que as pessoas passavam a esperar cada vez mais de mim. Mas o princípio da intenção me ajudou a perceber que o problema não eram os outros; era eu. Então, decidi fazer apenas aquilo que partia do meu verdadeiro eu – e apenas aquilo que eu sentia prazer em fazer pelos outros. O que eu sei de verdade é que, seja qual for a sua situação atual, você teve um papel fundamental em criá-la para si. A cada nova experiência, você constrói sua vida, pensamento por pensamento, escolha por escolha. E por trás de cada um desses pensamentos e escolhas está a sua mais profunda intenção. É por isso que, antes de tomar qualquer decisão, faço a mim mesma uma pergunta fundamental: qual é a minha verdadeira intenção?

5. Cada presente dado leva um pouco de você

Todos já ouvimos que é melhor dar do que receber. Bem, o que eu sei de verdade é que também é muito mais divertido. Nada me faz mais feliz do que um presente bem dado e recebido com alegria. Posso dizer com honestidade que todos os presentes que já dei trouxeram pelo menos tanta felicidade para mim quanto para os presenteados. Eu os dou conforme manda meu coração. Ao longo do ano, isso pode significar enviar uma mensagem manuscrita de surpresa para alguém. Ou mandar um hidratante ótimo que acabei de descobrir. Ou um livro de poesia enfeitado com um belo laço. Não interessa o que seja: o que importa é quanto de você mesmo vai junto com o presente para que, depois que ele seja recebido, o espírito de sua intenção permaneça.

Minha amiga Geneviève certa vez me deixou uma tigela de limões amarelos ainda com seus caules e folhas, recém-colhidos do seu quintal e amarrados com uma fita verde, diante da porta da minha casa, com um bilhete que dizia: “Bom dia”. O conjunto todo era tão bonito em sua simplicidade que, muito tempo depois de os limões murcharem, eu sentia o espírito do presente todas as vezes que passava pelo lugar onde tinha posto a tigela.

Agora, mantenho-a sempre cheia de limões para guardar a lembrança daquele dia!

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Estamos todos partidos.

Resume-se a isto. Estamos todos partidos.
De maneiras diferentes, por razões diferentes, uns mais do que outros, mas nisso somos todos iguais. Partidos.
É isto o que somos. São histórias interrompidas, despedidas precipitadas, guerras, palavras que não voltam, pessoas que não voltam, injustiças e opressões, mentiras e covardias, deficiências, insuficiências, o amor que se resolveu antes do tempo, o amor que não se resolveu, o amor bruto, o amor morto, o amor excessivo, a falta de amor.
Se olharmos bem, vai tudo dar lá, uma espécie de amor. Nisso somos todos iguais. Somos todos a mesma fragilidade…
As coisas são como são.
Não foi para isto que fomos feitos. Não fomos feitos para a dor.
Fomos feitos para o sol e gargalhadas e abraços e beijos. Está-nos na condição de sermos humanos, não desistir, acreditar. Resistimos, lutamos, apanhamos os destroços do chão e nos recompomos.
Sobrevivemos à felicidade. Sobrevivemos para a felicidade.”

Desconheço o autor

Aproveite enquanto dure.

Aprendi que duas pessoas discutindo, não quer dizer que se odeiam. Que duas pessoas felizes, não quer dizer que se amam. Que o mundo dá voltas e a vida é uma sequência de desafios. Que algumas feridas saram, outras não. Que quem vive do passado é museu. Que quem vive do futuro, não vive, Sonha. Que com a pessoa certa, uma vida é pouco tempo. Que com a pessoa errada, um minuto é muito. Que mesmo acompanhado, ainda posso estar só. Que caráter vem do berço, não se compra. Que Amor não se exige, se dá. Que meus amigos eventualmente vão me machucar, são humanos. Que um ato pode mudar toda uma vida. Que nem toda uma vida pode mudar alguns dos nossos atos. Que o importante pra mim, não é pra outros e isso não é defeito. Que a decência é uma prática diária. Que humilhar é a pior das covardias. Que a capacidade de amar é nata, não depende de terceiros. Que a beleza está nas boas coisas da vida,até nas mais simples. Que tudo muda para melhor ou para pior mas muda. Que nada é pra sempre, então aproveite enquanto dure.

 

Texto de Maria Gabriela Saldanha

É preciso ter coragem de estar sozinha também. E sobre isso ninguém nos ensinou. Ninguém vai nos ensinar. Há uma normatividade rígida se impondo sobre a afetividade feminina, mas dessa vez não fala de castração. Simula liberação. Para que ela se efetive, é preciso produzir em massa uma ansiedade quanto ao sexo, um desespero por parceiros, uma incompletude que nos rouba de nosso protagonismo e nos aprisiona – sendo esse o mesmo mecanismo da sensação de insuficiência física produzida pela ditadura estética e da sensação de insuficiência emocional produzida pela cultura romântica. A quem a insuficiência sexual está servindo? A quem o patriarcado serve. Falar disso, embora seja claramente um questionamento sobre até que ponto nossos corpos e sentimentos são realmente e apenas nossos, fatalmente soará como moralismo. É assim que querem que vejamos.

Antes de tudo, devemos admitir que as meninas fazem sexo cada vez mais cedo e que isso reflete um problema grave de gênero, uma vez que não fazem por mero instinto, mas porque há toda uma cultura que prega a obrigatoriedade da vida sexual. Independentemente de a infância ser uma construção histórica, a sua abreviação contemporânea é um interesse mercadológico. Elas fazem sexo para não se sentir socialmente inadequadas. A quantidade de vídeos de revenge porn de adolescentes tomando as redes sociais, a quantidade de letras de música falando de “novinhas” e o investimento pesado da indústria e da mídia na erotização infantil demonstram que há toda uma legislação subjetiva determinando a hipersexualização da mulher desde muito cedo.

Tudo à nossa volta constrange, impele, coage para o sexo. Mostrar-se sexualmente ativa, intensa e frequente é garantia de privilégios. Ora, o patriarcado é sobre sermos coadjuvantes: dos processos políticos e de nossas vidas. À frente, sempre a figura masculina, determinando o nosso manuseio correto. Logo, não só os homens gozam de um conjunto de privilégios, é preciso também “conceder” aparentes benefícios às mulheres, incentivando a competição entre elas, para que elas acreditem que há alguma forma de premiação dentro desse sistema. E as mulheres são “premiadas” segundo diferentes critérios: submissão aos padrões de beleza, ajuste à moral e aos costumes (mulheres relacionáveis), disposição sexual e capacidade de proporcionar prazer ao homem (mulheres consumíveis)…

Na contemporaneidade líquida, os falsos privilégios femininos estão ligados especialmente ao consumo sexual, de modo que as mulheres precisam comprovar que são livres, donas de seus corpos e bem-resolvidas, mantendo uma aura de autonomia. Essa autonomia sexual precisa ser aparente, não pode representar, em hipótese alguma, uma ruptura com o patriarcado, ela é uma ficção de uso, uma licença. A apropriação da homoafetividade feminina como fetiche é um exemplo de como a liberdade sexual feminina é encarada como uma concessão. Essa autonomia também vende o produto feminino com uma garantia de blindagem emocional: a mulher bem resolvida dá menos trabalho, não precisa de tantos cuidados no trato, não se melindra com qualquer gestozinho agressivo, não demanda tanto desgaste na sua administração.

É interessante para o patriarcado que a nossa sexualidade seja estimulante, garantindo o entretenimento em longo prazo ou o descarte imediato, como todo bem de consumo. Quase nos esquecemos de que existimos para nós, quase nos condenamos a bobas da corte. Agora somos máquinas de prazer, democratizando e afirmamos, assim, o sexo como mercado: somos todas profissionais de alguma maneira, eis o sonho machista realizado. O que não representa, de modo algum, a problematização da pornografia ou a libertação da mulher em situação de prostituição, ela permanece segregada e violável.

Resta claro como o patriarcado subverte os nossos processos e rouba a cena que jurávamos protagonizar. Quantas outras causas pensamos alavancar e correm esse mesmo risco? Ou já foram sequestradas e ainda não percebemos? Diante de um sistema que corrompe e usurpa até mesmo a idéia de empoderamento por meio de uma sexualidade mais livre em prol do prazer masculino, o que parece definitivamente libertário? Respondo: o triunfo sobre essa ansiedade por parceiros e pela consagração sexual dentro do jogo de falsos privilégios dados à mulher. É no estado de solitude que essa solidão devastadora e insaciável perde a força. É quando tomamos coragem de romper com a obrigatoriedade de um parceiro, com esse desespero por companhia e afirmação sexual que finalmente podemos empregar a nossa energia em atividades diversas, que nos permitam tomar o mundo, que nos apresentem uma perspectiva de igualdade de gênero a respirar fora da guerra dos sexos. Ou o contrário: é quando empregamos a nossa energia em atividades que nos façam tomar o mundo, que nos apresentem uma perspectiva de igualdade de gênero respirando fora da guerra dos sexos, que tomamos coragem de romper com a obrigatoriedade de um parceiro, com esse desespero por companhia.

De qualquer modo, é preciso auto conhecimento. A nossa intimidade sempre foi objeto de disputa e controle, nunca nos pertenceu. Parece improvável que realmente a gente venha a conhecer relações mais saudáveis e justas sem que haja uma retomada e reconhecimento dessa intimidade, para que nunca mais fique ao cálculo dos interesses culturais, sociais e econômicos traçados pela supremacia masculina. Precisamos nos explorar mais, somos um universo desconhecido para nós mesmas. Aprender a ficar só e a ser por inteiro, virando o tabuleiro da manipulação afetiva e sexual, pode ser um passo determinante para nos desintoxicar de séculos viciadas em submissão, competição e aprovação. Se mesmo o nosso protagonismo em algumas questões pode ser uma ilusão de ótica, aprender a estar consigo e a preencher-se de companhias não sexuais (notem como a sonoridade é imprescindível), de objetivos que nos obriguem a ir além de nós e que restaurem o óbvio – não somos as nossas emoções, NÓS TEMOS AS NOSSAS EMOÇÕES – podem ser os únicos passos concretos para a descolonização e autodeterminação femininas.