Texto de Laura Méllo

Guardo o que vale a pena, e o que não vale, fico o tempo todo tentando remover.
Às vezes consigo.
E quando tento em vão, é que chego a conclusão que mesmo eu fingindo que já passou, tem coisas que chegam pra ficar.
E se alojam, deitam, dormem, parece até que “morrem” dentro da gente.
Criam mofos, dão traças, umas apodrecem, chegam a feder.
Mas não vão embora.
Não adianta tentar.expulsar.
Ficam arquivadas na memória.
E com muito esforço, a gente passa um tempo sem lembrar.
Mas se mexer lá dentro, elas despertam e nos lembram que nem tudo na vida se perde com o tempo.
Seja algo bom ou ruim, se acontece, é para o nosso crescimento.
Às vezes nem pra isso.
O fato é que não tenho mais estrutura óssea para expandir seja pra quê lado for.
Acumulei tantas coisas, que algumas delas se calcificaram.
Sinto que tenho uma síndrome rara.
Uma espécie de osteoporose na alma.
Mas Deus está tratando,
dos pesadelos reais …
dos acúmulos de tristezas …
das minhas incertezas …
das dores mais profundas …
das mágoas disfarçadas …
das lágrimas acumuladas …
das fúrias que só eu consigo ver …
dos meus sonhos absurdamente loucos …
das minhas vontades de fazer justiça, sendo eu injusta …
das pessoas moribundas que guardo como se eu fosse um hospital …
das minhas bondades que só me fazem mal.

Laura Méllo

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